Lembro-me de ser muito avessa à prática de meter-me em vidas que distassem da minha para além da porta da rua. Mesmo nestes casos, enfim, a vontade pendia sempre mais para a distância do que para dentro da casa. Assim fui, frequente protagonista de amores e litígios  entre os próprios pés e suas pernas, por quedas muito aquém  do aparato e sem grandes aventuras, continuando a meter-me comigo. Não entendia, por isso, quando estranhos se me dirigiam, fosse qual fosse a expressão sob a qual ousassem, adversa ou amistosa, e atiravam para o ar palavras que era suposto eu agarrar em dialogante continuidade. Ocasiões houve, até, em que este quadro fora paralisante,  – e agora visualizo o inverso ao centro das molduras harrypotterianas, portanto, como as telas devem ser. Outras vezes, ainda, quando os pretensos interlocutores mantinham comigo alguma vaga de proximidade, por exemplo, a título de obrigatórias presenças em recintos escolares, sentia fugir-se-me todo o sangue para as faces, que ali ficava a ferver, os olhos abertos e a boca antónima.

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