Um Dia Mundial Que Não Serve Para vender Nada

Nunca vi ninguém a julgar o próximo a partir da cor dos olhos, ou já?, digo julgar exactamente isso, a cor dos olhos, considerar em si esse atributo passível de juízos condenatórios, ou já? O que estou para aqui a pensar é mais ou menos isto: se a maioria estará de acordo que a cor dos olhos com que nascemos não depende de escolha nossa, portanto, bonitos ou feios, não temos culpa, essa mesma maioria discordará de que semelhantemente nos escapam ao controlo características distintivas de personalidade. Quando elogiamos a cor dos olhos de alguém, estamos a elogiar, em rigor, o acaso ou a biologia, não a pessoa, a quem dizemos que aqueles olhos que o acaso ou a biologia ali pôs, ficam mesmo bem. (…)

 

Quando condenamos alguém por ser preguiçoso, por exemplo, partimos do princípio que esse estado depende da vontade da pessoa, que escolhe a preguiça em detrimento da solicitude. não é?

 

(ora vem isto causado mui directamente por dois factos: um deles é ter um filho recentemente ingressado no décimo ano de escolaridade.)

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