O que te afasta da maioria das pessoas de bem é o excesso de formalismo em que se escudam para se relacionarem com a vida toda à volta. Não consegues deixar de esbarrar nos muros que erguem entre o bem e o mal, o certo e o errado, o justo e o injusto, o feio e o bonito, à roda dos quais outros, sobretudo porque a unir os tijolos têm verdades cuja origem desconheces, patamares aonde chegaram sem que lhes descubras degraus, estão assim ali presos e, parece-te, gostam.  Quando ouves que não se trata as pessoas por você que é muita falta de educação, ou que chamar tu de algum modo faz disso depender aquilo a que chamam respeito, ou que os gordos não podem vestir-se como os magros, ou que os pretos assim, os ciganos assado, não é?, tanta frase perfeitamente adequada ao mundo que passa por único, tão comprimida entre forças que nos castram os sentidos, começas logo a desviar-te, a querer fugir, a perder o contacto. Isolas-te no interior dos muros de que és feito.

 

(há dias no cumprimento de um plano de exames médicos: o profissional do ultrassom cardíaco perguntava-me se a senhora doutora isto, e o outro, quase na ponta do pé igualmente à procura dos tecidos moles, se tu aquilo. E eu é na boa.)

 

 

 

 

(ah, e o terceiro era mudo, benzido que foi!)

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